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"(...) Fiquei pensando quem iria ler aquilo tudo. Mas, por outro lado, quem escreve não fica pensando nisso; escreve porque quer escrever. Depois, quem quiser que o leia - espera o escritor, e esperamos nós (...)". * Livro: Maria Madalena, A Mulher que Amou Jesus

31 de out. de 2006

Existe Esperança no Paraíso Tropical?

A Torre de Babel Tropical: Ainda acredito que os brasileiros queiram construir um país
Em tempos de eleições costumamos passar minutos e mais minutos pensando em quem votar, quais as melhores saídas para uma economia que não cresce, como combater os problemas sociais espalhados pelo território nacional, como salvar a saúde pública quase inexistente. Na verdade deveríamos passar horas e mais horas durante os quatro anos de cada mandato pensando onde erramos, onde acertamos. É preciso que façamos a "mea" culpa, já que somos nós que temos a principal ferramenta que dá vida e movimenta a democracia: O Voto!

Milhões de brasileiros com idade superior a 16 anos, foram até as urnas este ano, votaram duas vezes, no primeiro e no segundo turno. Neste vai e vem necessário, foram definidos deputados estaduais e federais, senadores, governadores e o presidente da república. O que aconteceu de novo? Em muitos Estados, novos governadores foram eleitos, mas para o cargo de presidente da república, os brasileiros, em sua maioria, preferiram a reeleição do candidato do povo. Depositaram nele o voto da esperança, de uma nova chance.

O Brasil possui inúmeros potenciais, talvez seja redundante levantar aqui alguns deles, mas é importante ao mesmo tempo. Estamos com a auto-estima, com o patriotismo arrasado. Depois de uma campanha insatisfatória na Copa do Mundo da Alemanha, dos sucessivos escândalos que mancham a história do país, da violência urbana que não cessa, e ao final de um ano de pura batalha para a grande e esmagadora parcela da população acontecem as eleições, último suspiro de força e vontade para que algo mude. E algo mudará? Quero acreditar que algo possa realmente acontecer. Mas não sei se acredito. Preciso acreditar que sim, caso contrário como farei para realizar meus sonhos, tocar a vida. A política rege tudo a nossa volta e nem percebemos, talvez esteja aí o nosso grande erro.

Carnaval, futebol, samba, ritmo, swing, capoeira, tupinambás, escravos, favelas, imigrantes, abismos sociais, cores, banana, bola, areia, praia, bossa nova, novelas, floresta amazônica, índios, Pão-de-Açúcar, Cristo Redentor, Avenida Paulista, centro finaceiro, clima tropical, chuva, sol, sorrisos, fome, moradores de rua, cidadão, trabalho, religiosidade, sotaques, fauna, Zumbi dos Palmares, Princesa Isabel, Pedro Alvarez Cabral. Colônia, exportação, turismos, liberdade, corrupção. Pensando assim, até parece que o Brasil é a Torre de Babel, onde ninguém consegue entender e se fazer entendido. É a luta diária para que uma sociedade seja reconhecida como digna e respeitada por estes últimos 500 anos de história, que não fez outra coisa a não ser trabalhar e trabalhar. E passamos a nos alimentar novamente do soro da paciência, temperado pela esperança por dias melhores.